Notícia: Inteligência artificial para o bem comum: saiba mais sobre o tema do Prêmio Jovem Cientista

Inteligência artificial para o bem comum: saiba mais sobre o tema do Prêmio Jovem Cientista

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Pesquisadores contam como IA tem sido implementada em diversas áreas do conhecimento e apresentam projetos inovadores 

Carro autônomo desenvolvido na UFES opera com inteligência artificial. Foto: Arquivo pessoal.
arro autônomo desenvolvido na UFES opera com inteligência artificial. Foto: Arquivo pessoal.

A “inteligência artificial para o bem comum” é o tema da 32ª edição do Prêmio Jovem Cientista. Com inscrições abertas até 14 de agosto, a iniciativa reconhece projetos de pesquisa de estudantes do ensino médio, ensino superior, mestrado e doutorado de qualquer área do conhecimento.  

A IA tem sido implementada em diversos setores e tarefas, impulsionando grandes transformações. Segundo o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), seu uso deve ser orientado pela ética e pelo interesse coletivo. O relatório também destaca a importância de preservar a soberania: “Não desejamos simplesmente importar soluções; queremos desenvolvê-las por brasileiros e para brasileiros, considerando nossas particularidades sociais, culturais e econômicas”. Tem o nome de quem disse isso no relatório?"

Nesse contexto, estudantes, professores e pesquisadores brasileiros têm desenvolvido soluções baseadas em inteligência artificial capazes de promover mudanças na vida de milhares de pessoas, além de inspirar novas iniciativas que transformem potencial tecnológico em impacto real.  

Reconhecer e premiar essas pesquisas é o objetivo do Prêmio Jovem Cientista, uma iniciativa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em parceria com a Fundação Roberto Marinho, que conta com o patrocínio master da Shell e apoio de mídia da Editora Globo e do Canal Futura. 

Aplicações da IA saúde

Há pouco mais de um ano, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) lançou Rebec@, uma inteligência artificial generativa desenvolvida para apoiar pesquisadores do Brasil e do exterior no registro de pesquisas clínicas. Esses estudos, feitos com seres humanos, passam por avaliação rigorosa antes de serem iniciados. 

Integrada à plataforma do Registro Brasileiro de Ensaios Clínicos (ReBEC), Rebec@ orienta os usuários sobre documentos e informações necessários para o registro das pesquisas. Segundo o professor e doutor em Saúde Pública, Josué Laguardia, coordenador do ReBEC, embora o conteúdo gerado pelo chatbot passe por revisão humana, a tecnologia contribui para agilizar o processo, liberando os pesquisadores para atividades mais analíticas e complexas. 

“A Rebec@ foi construída a partir de uma base de conhecimento sobre o que é o registro de estudos clínicos. Hoje, já pensamos em ampliar esse escopo, com a possibilidade de o chatbot realizar uma primeira análise dos projetos, apontando eventuais inconsistências na documentação. Evidentemente, a avaliação final continuaria sendo feita por um revisor humano, mas essa triagem inicial automatizada pode tornar o processo mais rápido”, avalia. 

De acordo com o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, a IA pode ser utilizada para melhorar diagnósticos, otimizar recursos, prever surtos de doenças e personalizar tratamentos. 

“Já é reconhecido que a Inteligência Artificial tem melhorado a precisão no diagnóstico por imagem, mas sua implementação ainda enfrenta desafios, como a dependência de grandes volumes de dados e a necessidade de avaliar se, e como, a diversidade está representada, evitando vieses e desigualdades na prática clínica”, explica Simone Oliveira, Doutora em Informação e Comunicação pelo ICICT/Fiocruz. No doutorado, ela ouviu diversos pesquisadores que lideravam projetos de pesquisa sobre IA na Saúde. 

“Um dos projetos que conheci é um protótipo que ajuda pacientes a se engajarem no autocuidado no tratamento de doenças crônicas, como o diabetes. É um agente de IA que interage com o paciente, orientando sobre autocuidado. Também tem ganhado destaque o uso da IA para ajudar autoridades de saúde a identificar antecipadamente possíveis surtos, permitindo ações preventivas antes que a transmissão se intensifique”, conta a pesquisadora.  

Oliveira destaca a importância do uso e do desenvolvimento responsável da Inteligência Artificial na saúde e na pesquisa, considerando suas diversas aplicações, incluindo o apoio à descoberta de novos medicamentos e vacinas. 

Além das aplicações diretas, compreender como as tomadas de decisão acontecem é um ponto fundamental na visão dos pesquisadores, a chamada “explicabilidade da IA”. “A transparência é fundamental para a construção da confiança, especialmente na saúde. As decisões são pautadas pelas evidências científicas? Como o banco de dados foi criado? Utilizar sistemas de IA treinados em populações com características distintas pode levar à erros”, argumenta o professor Laguardia.  

Educação, cultura e IA

Janaina Mello, professora do Departamento de História da Universidade Federal de Sergipe (UFS), atua há mais de uma década com aplicações de tecnologia em sua área. Um de seus primeiros projetos foi o robô SayHist, criado para apresentar informações sobre patrimônios culturais de Sergipe e Alagoas. Com o protótipo, a pesquisadora conquistou uma bolsa de produtividade em desenvolvimento tecnológico do CNPq. 

O SayHist se tornou ponto de partida para novas iniciativas em robótica educacional. “A proposta é que seja um projeto adaptável, que possa ser levado para outros estados e espaços, como museus e escolas. Além disso, o modelo permite aplicações diversas. Passamos a incorporar a holografia nesse mesmo robô para trabalhar o ensino da história em sala de aula”, explica Janaina. 

Robo desenvolvido na UF
Robozinho SayHist desenvolvido pela professora. Foto: Arquivo pessoal.

Entre os desdobramentos está o projeto PrismaTec, que busca apoiar professores da educação básica no uso de robótica educacional, inteligência artificial e holografia no ensino de história e patrimônio cultural, especialmente para crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista.  

“Nós utilizamos um celular para criar as holografias do PrismaTec. Com o apoio de ferramentas de IA, transformamos imagens de museus, artesanato e manifestações culturais de Sergipe em projeções holográficas. É um robô que se movimenta, emite sons, responde a interações e, também, projeta imagens”, detalha Janaina. 

Para a professora, é fundamental que os projetos que envolvam o uso de IA e outras tecnologias mantenham o olhar centrado nas pessoas. Isso significa desenvolver tecnologias que sejam compreensíveis e democráticas, garantindo que a inovação esteja a serviço das pessoas e não o contrário.  

Um assunto multidisciplinar  

Há mais de uma década, o professor Alberto Ferreira de Souza, do Departamento de Informática da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), trabalha no desenvolvimento de veículos autônomos. Um dos projetos é Iara, um carro capaz de andar sem motorista, operado com inteligência artificial. Em 2017, o veículo realizou uma viagem de Vitória a Guarapari, percorrendo mais de 70 quilômetros, um marco no desenvolvimento desse tipo de tecnologia no Brasil.  

“Depois disso, a gente fez um caminhão autônomo que hoje é utilizado em indústrias e portos. Temos vários veículos operando pelo Brasil de forma autônoma”, destaca o pesquisador. “Por meio de uma parceria com a Embraer, também fizemos o primeiro taxiamento autônomo de uma aeronave comercial a jato de passageiros do mundo”.  

O professor lista, ainda, outras iniciativas em desenvolvimento, como o projeto eVTOL, uma espécie de carro voador, o cachorro robô, pensado para inspeção de locais e materiais perigosos, além de um robô humanoide treinado para executar tarefas simples do cotidiano, como preparar um café.  

A robótica autônoma não é o único foco do pesquisador. Ele também se dedica a estudos sobre o uso da IA para ampliar a expectativa de vida. “Muitos pesquisadores trabalham com a hipótese de que o envelhecimento faz parte da programação do nosso DNA. Se conseguirmos decifrar os códigos que o compõem e, eventualmente, modificá-los, poderemos aumentar a longevidade humana”. Segundo ele, a IA pode auxiliar na leitura, identificação e possível alteração desses códigos genéticos. 

Um dos principais desafios é a natureza multidisciplinar dos projetos, que mobilizam saberes de diferentes áreas. O desenvolvimento dos veículos autônomos exigiu conhecimentos comuns no campo da engenharia. Para a pesquisa voltada à longevidade, foi necessário avançar em temas como genoma e biologia molecular. 

Para o professor Alberto, a inteligência artificial deve provocar transformações profundas em um curto espaço de tempo. Embora o potencial da tecnologia seja significativo, seus impactos dependerão das escolhas feitas por pessoas e países e se estarão orientadas por interesses individuais ou coletivos. “Ao longo da história, a humanidade ampliou sua força com ferramentas, animais e máquinas; agora, com a inteligência artificial, estamos diante de algo ainda mais transformador: a capacidade de multiplicar nossa própria inteligência”, avalia. 

Sobre a Fundação Roberto Marinho

A Fundação Roberto Marinho inova, há mais de 40 anos, em soluções de educação para não deixar ninguém para trás.  Promove, em todas as suas iniciativas, uma cultura de educação de forma encantadora, inclusiva e, sobretudo, emancipatória, em permanente diálogo com a sociedade. Desenvolve projetos voltados para a escolaridade básica e para a solução de problemas educacionais que impactam nas avaliações nacionais, como distorção idade-série, evasão escolar e defasagem na aprendizagem. A Fundação realiza, de forma sistemática, pesquisas que revelam os cenários das juventudes brasileiras. A partir desses dados, políticas públicas podem ser criadas nos mais diversos setores, em especial, na educação. Incentivar a inclusão produtiva de jovens no mundo do trabalho também está entre as suas prioridades, assim como a valorização da diversidade e da equidade. Com o Canal Futura fomenta, em todo o país, uma agenda de comunicação e de mobilização social, com ações e produções audiovisuais que chegam ao chão da escola, a educadores, aos jovens e suas famílias, que se apropriam e utilizam seus conteúdos educacionais.  Mais informações no Portal da Fundação Roberto Marinho. Saiba mais: www.frm.org.br.  

Sobre o CNPq    

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), criado em 1951, foi o principal ator na construção, consolidação e gestão do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. O CNPq é vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e sua atuação se dá, principalmente, por meio do apoio financeiro a projetos científicos, selecionados por chamadas públicas lançadas periodicamente, e pela concessão de bolsas de pesquisa. Atualmente, são cerca de 90 mil bolsistas em diversas modalidades, desde a iniciação científica até o mais alto nível, as bolsas de Produtividade em Pesquisa. O CNPq também gerencia programas estratégicos para o país, como o de Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT), empregando recursos próprios ou oriundos de parcerias nacionais com fundações estaduais de amparo à pesquisa (FAPs), universidades, ministérios e empresas públicas e privadas, além das parcerias internacionais. Atua na divulgação científica, com o apoio a feiras de ciências, olimpíadas, publicações e eventos científicos, em especial a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. Desde sua criação, o CNPq se encarrega de uma expressiva agenda de cooperação internacional, com destaque à colaboração em programas internacionais - bilaterais, regionais e multilaterais. Por meio do apoio a projetos conjuntos, do intercâmbio de pesquisadores e da participação em organismos internacionais, o Conselho fortalece as parcerias estratégicas para o Brasil, ao encontro do que estabelece a Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação.     

Sobre a Shell Brasil   

Há 112 anos no país, a Shell Brasil é uma companhia de energia integrada, com participação nos setores de Petróleo e Gás, Soluções Baseadas na Natureza, Pesquisa & Desenvolvimento e Trading, por meio da comercializadora Shell Energy Brasil. A companhia está presente ainda no segmento de Biocombustíveis por meio da joint-venture Raízen, que no Brasil também gerencia a distribuição de combustíveis e lubrificantes da marca Shell. A Shell Brasil trabalha para atender à crescente demanda por energia de forma econômica, ambiental e socialmente responsável, avaliando tendências e cenários para responder ao desafio do futuro da energia.