Entenda o que é o Pisa e confira os principais resultados da educação brasileira no exame
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Mais da metade dos estudantes brasileiros apresentam baixo desempenho em leitura, matemática e ciências

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou na última terça-feira (8/09), os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa). Uma das principais avaliações educacionais do mundo, o Pisa é aplicado em 91 países e economias para medir a aprendizagem de jovens de 15 anos em leitura, matemática e ciências. Nesta edição, o exame também avaliou a capacidade de resolução de problemas a partir de ferramentas digitais.
Os resultados do Brasil no Pisa acendem um sinal de alerta sobre os desafios da educação pública nacional. Embora pontue abaixo da média dos países membros da OCDE, o país mantém um patamar de aprendizagem estável há uma década: os dados de 2025 mostram pouca variação em relação aos índices registrados em leitura, matemática e ciências desde 2015.
Em leitura, o Brasil alcançou 408 pontos, enquanto a média da OCDE foi de 466 pontos. Em matemática, a disparidade foi ainda maior: os estudantes brasileiros registraram 377 pontos, frente aos 469 dos países membros, uma defasagem de quase 100 pontos. Por fim, em ciências, o desempenho nacional foi de 409 pontos, contra uma média OCDE de 486.



A análise do Ministério da Educação (MEC) sobre os resultados chama a atenção para a redução da distância entre o Brasil e a média da OCDE no período de 2006 a 2025. No entanto, os dados sugerem que a redução da distância entre os resultados do Brasil e a média da OCDE decorre mais da queda geral na pontuação de diversos países do que de um avanço significativo dos índices nacionais.
Ainda assim, o Brasil integra um grupo restrito de países que registram algum avanço nos resultados do Pisa desde 2006. No mesmo intervalo de duas décadas, mais da metade dos países participantes sofreu retrocessos na aprendizagem em leitura, matemática e ciências.
O desempenho dos brasileiros
Em Leitura, 51% dos estudantes brasileiros ainda não atingiram o nível 2, considerado o patamar básico de proficiência para compreender, avaliar e refletir sobre textos no cotidiano. No topo da distribuição, apenas 1,2% dos alunos alcançaram os níveis mais avançados (5 ou 6).
Os desafios são ainda mais severos em Matemática. Nessa área, o exame mede a capacidade de raciocinar e aplicar conceitos no mundo real. Cerca de 71% dos jovens brasileiros permanecem abaixo do nível básico, enquanto a média de defasagem nos países da OCDE é de 32%. Na faixa de alto rendimento (níveis 5 ou 6), a participação nacional é de apenas 0,4%.
Em Ciências, disciplina que avalia o engajamento com temas de sustentabilidade e tecnologia, mais de 52% dos estudantes estão abaixo do conhecimento elementar, e menos de 1% atingiu o topo do indicador.


Tecnologias digitais
Nesta edição, o Pisa avaliou pela primeira vez a capacidade dos estudantes de resolver problemas por meio de ferramentas digitais. Nessa área, o Brasil registrou 406 pontos, ficando cerca de 100 pontos abaixo da média dos países da OCDE (500), demonstrando as fragilidades de acesso à tecnologia e ao letramento digital nas escolas do país.
O uso de dispositivos no contexto escolar no Brasil expõe a complexa relação entre inovação e mediação pedagógica. Os estudantes dedicam, em média, 1,3 hora diária a atividades escolares digitais (frente a 1,7 hora na OCDE) e reservam cerca de 1 hora ao lazer.
A dispersão pelo uso não orientado de telas atinge 25% dos alunos em aulas de Ciências e está relacionada às reduções no desempenho. Como resposta a essa dinâmica, a proibição de celulares nas escolas brasileiras (por meio da Lei 15.100/2025) saltou de 37% para 81%, patamar muito superior à média internacional de 49%.
Por outro lado, os jovens brasileiros demonstram autonomia na apropriação de novas tecnologias: 48% recorrem a ferramentas de Inteligência Artificial ao menos uma vez por semana como suporte escolar. A IA é empregada sobretudo na pesquisa de temas (40%), no resumo de leituras (31%) e na construção de rascunhos (27%). Apenas 11% afirmam nunca ter utilizado a tecnologia nos estudos. Isso mostra que, na prática, os estudantes estão utilizando a tecnologia, evidenciando a necessidade de letramento digital crítico para orientar esse uso.
Sobre o Pisa
O Pisa 2025 envolveu a participação de mais de 760 mil estudantes em 91 países e economias, representando um universo de 33 milhões de adolescentes.
No Brasil, o exame foi aplicado a 30,1 mil alunos em 1.053 escolas, abrangendo uma população estimada de 2,1 milhões de jovens entre 15 e 16 anos matriculados a partir do 7º ano do Ensino Fundamental.
Os resultados do Pisa permitem que cada país avalie os conhecimentos e as habilidades de seus estudantes em comparação com os de outros países, aprenda com as políticas e práticas aplicadas em outros lugares e formule suas políticas e programas educacionais visando à melhora da qualidade e da equidade dos resultados de aprendizagem.
