Zona de Poesia Árida

Publicada em
6 de fevereiro de 2015

O Museu de Arte do Rio – MAR apresenta Zona de Poesia Árida, exposição que traça um panorama do intenso papel de ativismo assumido pela arte a partir dos anos 2000, com a participação de coletivos atuantes em São Paulo. A mostra reúne 55 trabalhos, entre vídeos, fotografias, gravuras, intervenções e performances que pertencem à Coleção MAR e integram o Fundo Criatividade Coletiva/Doação Funarte, formado por meio da 6a edição do Prêmio de Artes Plásticas Marcantonio Vilaça.

 

Nova Pasta e Projeto Matilha. Mickey e Zona de Poesia Árida, 2005. Performance.  Antonio Brasiliano

 

Com curadoria de Daniel Lima e Túlio Tavares, juntamente com o museu, o projeto expõe a amplitude dos últimos 10 anos de atuação dos grupos Frente 3 de Fevereiro, Bijari, Contrafilé, Nova Pasta, Esqueleto Coletivo, Cia Cachorra, A Revolução Não Será Televisionada, COBAIA, EIA, Política do Impossível, Ocupeacidade, Espaço Coringa, Catadores de Histórias, Mico, Dragão da Gravura e Elefante. São obras de uma geração que viveu e criou um conjunto singular de ações numa das maiores metrópoles do mundo, que esgarçou o espaço institucional e a vida pública, cruzando e sendo atravessada por movimentos sociais diversos.

 

“Partimos da hipótese de que existiu algo em comum entre os coletivos que se utilizam do espaço público como terreno de ação. Projetos artísticos que indagam sobre as relações entre arte, política e questões da vida nessa cidade que produz um espaço estrategicamente excludente. Esses projetos operam em um campo minado, onde talvez não seja possível entrar sem arriscar-se. Por isso a procura por movimentos populares, ir para a cidade, para as ocupações, para lugares abandonados, lugares que ninguém vê. Sabíamos que novos símbolos poderiam ser produzidos, mesmo que perdessem a categoria de ‘arte’”, comenta Túlio Tavares.

 

A consolidação do Fundo Criatividade Coletiva evidencia a condição do MAR enquanto museu de processos. É um desdobramento da presença desses grupos em O Abrigo e o Terreno, uma de suas mostras inaugurais, que deixou clara a necessidade do debate em torno do direito à cidade, envolvendo a habitação e as relações entre o público e o privado. Como instituição que surge no século 21, o MAR encara os desafios colocados pelo contexto sociopolítico da cultura e compreende que é parte de suas responsabilidades a contínua ativação desse campo de investigações.

 

A partir dessa percepção, foram organizadas as exposições Turvações Estratigráficas – Yuri Firmeza, Eu como Você – Grupo EmpreZa ou o recente Museu do Homem do Nordeste, de Jonathas de Andrade.  Zona de Poesia Árida abre ao público em 27 de janeiro e dá continuidade ao programa curatorial que, de forma autorreflexiva, possibilita a crítica institucional. No mesmo dia, às 15h, os curadores e artistas integrantes dos coletivos que compõem a mostra participam da Conversa de Galeria. Já no dia 28, às 14h, comandam o primeiro Rádio Debate, uma série de quatro encontros transmitidos por rádio ao Pilotis do museu, colocando em pauta temas em torno da mostra e da prática coletiva.

 

No dia 27 de janeiro o MAR também inaugura Paisagens não vistas, mostra individual do artista Marcos Chaves. Ambas as exposições ocupam o andar térreo do pavilhão de exposições, que é dedicado à arte contemporânea.